quinta-feira, 3 de maio de 2012

Paris, 28 de outubro de 1927.

Querido Sr. Gentil,

Desculpe pelo espelho do quarto. Levei comigo pra que eu não me esqueça de mim. Confesso que sai em silêncio, porque minhas palavras podiam gritar. Eu te amei por um dia, ou dois, talvez mais. Fomos felizes até. Só que sou desorientada e não consegui enxergar nosso amor. Preciso de óculos. Mandei fazer, fui buscar, e fui embora. Nessa ordem. Agora tenho óculos e não tenho você. Parece justo. Eu fui injusta com você e quero no fundo me castigar. Ou me libertar? Talvez o certo desse caso errado seja eu fugir pra longe, pra onde as pessoas são tão problemáticas como eu a ponto de precisar de um par de lentes para enxergar coisas próximas e nítidas. Agora não temos um ao outro, e acho que nunca tivemos. Cansei do meu próprio emaranhado de contradições. Perdoe-me por te afogar no meu maldito ego guloso. Você precisa de ar. Precisa ir pra superfície e remar (e re-amar) sem mim. Sua solidão será o pouco que eu nunca pude te dar. Obrigada por tentar aquecer nossa casa úmida, por ser impecável e tão gracioso. Você merece se casar com a Madame Sofie que tanto te quer. Prometo não colocar fogo na festa nem ir disfarçada de homem. Vou vestida de mim mesma, se você me convidar. Vou te dar de presente um abraço, e vou gostar de você de novo, no instante infinito que durar esse abraço. Depois eu volto pra estação de trem. Vou fugir mais uma vez. Anseio saciar minha fome de amor, fazendo jejum de você.
                                                                                                              Com amor,
                                                                                                                         Norma Jean.

quarta-feira, 21 de março de 2012

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O conto do palhaço no ponto.

Era uma vez dois corações perdidos, pra amenizar e não dizer partidos. Eles se acharam no ponto de ônibus. Ele com um all star meio sujo, ela com um discreto sorriso pro dito cujo. Ele era seu vizinho. Ah, esqueci de contar do anel no dedinho. Ele entrou no ônibus e sumiu. Ela não se importou, ou pelo menos fingiu. Esse é o fim do primeiro ato. Não terá intervalo porque agora é que começa de fato. Eles se encontraram de novo, do outro lado da cidade.  Não perguntaram o nome e muito menos a idade. E se viram mais uma vez, de noite e no mesmo dia. Ele era ator e ela uma atriz, que ironia. Decidiram então interpretar um pequeno romance. Que duraria três dias, antes que um deles se canse. E viveram um minúsculo amor inventado. Até que ela foi embora sem ter muito bem avisado. Ele seguiu em cena sozinho. Ela também seguiu seu caminho. Mas a mocinha da história não entendeu o final desse conto, só sabe que se encantou pelo menino palhaço do ponto.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Estranha mania

É muito engraçado não saber o que fazer da vida e mesmo assim acreditar com toda a sua alma que o destino te reserva uma coisa muito boa. Eu acredito. E tenho medo. Tenho medo de tanta coisa e acredito no contrário de todas elas. Tenho a "estranha mania de ter fé na vida". É Maria, descobri que sofro desse mesmo mal, que me faz tão bem.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

De novo e sempre, amor.

É. Eu não canso de falar de amor. Brega ou não, fundamental é mesmo o amor!
Vi esse vídeo e me encantei. Porque mais bonito que amor de filme, é amor real.

http://vimeo.com/27841262

Bom sábado :)
Com todo amor, Fe.

domingo, 29 de janeiro de 2012

O amor nosso de cada dia.

Eu te amo. Ele disse antes de sair. Ela sentou no sofá e respirou o resto do cheiro que ele esqueceu ali. Acendeu um cigarro e sentiu sua falta. Uma falta que chega todos os dias, do mesmo jeito e no mesmo horário. Ela decidiu ir atrás dele. Abriu a porta da casa e ele estava ali, no chão. Não morto, calma. Só sentado meio sem jeito escrevendo alguma coisa. Ela sorriu e não entendeu. Você não foi pro trabalho? Eu vou, mas preciso escrever um texto antes. Ela riu e ficou parada, olhando o hall do prédio decorado com um homem esquisito e maravilhoso. Pronto, terminei. Disse ele ao se levantar. E caminhou em direção à porta e deu um beijo sem dizer nada. Ele empurrou ela pra dentro e caíram os dois no tapete da sala. Ele fechou a porta com o pé, ela riu e insistiu. Você não vai pro trabalho? Eu vou, mas preciso muito te amar antes. Ele riu e ficaram ali. Sozinhos e sem roupas. Até o anoitecer.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Acho sexy.

Café. Eu acho sexy. É um mistério líquido escuro e quente. Vicia. Ele queima ou amarga dependendo do dia. O cheiro entranha sem piedade e por si só ele me parece malvado. Acho sexy quem bebe. No meu íntimo é como coragem. Gosto de quem arrisca nos mínimos detalhes que eu mesma invento. Gosto de frio na barriga dos outros. A vida precisa disso! De pequenas doses de ousadia toda manhã. De extremos e excessos. De pequenos e intensos. Café me lembra amor. Acho que é isso.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

E quando eu te encontrar.

E quando eu te encontrar eu tenho medo de respirar de menos, ou rir demais. De parecer ansiosa e com rímel demais. De tropeçar na rua e bater a porta do carro, forte demais. Tenho medo de ficar com alface no dente, de descascar meu esmalte inteiro, de fazer drama, de ser esquisita, gordinha ou pequena demais. Mas aí eu lembro que você vai me amar, tanto, simplesmente por eu ter sido eu demais.

Reconhecimento

"Ele tateia as maçãs do rosto, contorna o nariz, escorrega os dedos pelas pálpebras, pelos lábios; procura por rugas, falhas, pontas. Encontra a memória, colorida e exata.

- Você não mudou nada.
- Desde ontem?
- Desde que eu te imaginei."

do blog Café Pequeno.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Vinho safra ruim

E pediram pra ela escolher entre um amor tranquilo, ou um amor ardente. O último é vermelho. De um tom bonito e perigoso. Quase um vinho, que o corpo clama pra engolir. A tranquilidade é clara e já não sabe seduzir. Mas conforta. Segura. Ela não consegue escolher.

Ela escolhe o amor tranquilo. Porque pensou que no branco, podia pintar qualquer cor. Mas ela tentou colorir de vermelho, e ele não tinge. Não pega. Escorrega. No máximo um rosa clarinho. Ela quer um e outro e não se contenta com nenhum dos dois. Ela fica brava e escolhe o vermelho. Que arde. Ela sempre gostou do abismo. Do pode ser que não sei se é. Ele fascina e machuca. Ela não deveria querer! Mas quer.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O primeiro parto

Eu gosto do amor em excesso. O controle me irrita. A falta de amor, o quase amor, o pequeno amor, o disfarçado amor. Não suporto o amor com medo de amar. Me sufoca o amor que insiste em pensar. Amor é pra ser por inteiro, de verdade, com vontade.