domingo, 29 de janeiro de 2012

O amor nosso de cada dia.

Eu te amo. Ele disse antes de sair. Ela sentou no sofá e respirou o resto do cheiro que ele esqueceu ali. Acendeu um cigarro e sentiu sua falta. Uma falta que chega todos os dias, do mesmo jeito e no mesmo horário. Ela decidiu ir atrás dele. Abriu a porta da casa e ele estava ali, no chão. Não morto, calma. Só sentado meio sem jeito escrevendo alguma coisa. Ela sorriu e não entendeu. Você não foi pro trabalho? Eu vou, mas preciso escrever um texto antes. Ela riu e ficou parada, olhando o hall do prédio decorado com um homem esquisito e maravilhoso. Pronto, terminei. Disse ele ao se levantar. E caminhou em direção à porta e deu um beijo sem dizer nada. Ele empurrou ela pra dentro e caíram os dois no tapete da sala. Ele fechou a porta com o pé, ela riu e insistiu. Você não vai pro trabalho? Eu vou, mas preciso muito te amar antes. Ele riu e ficaram ali. Sozinhos e sem roupas. Até o anoitecer.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Acho sexy.

Café. Eu acho sexy. É um mistério líquido escuro e quente. Vicia. Ele queima ou amarga dependendo do dia. O cheiro entranha sem piedade e por si só ele me parece malvado. Acho sexy quem bebe. No meu íntimo é como coragem. Gosto de quem arrisca nos mínimos detalhes que eu mesma invento. Gosto de frio na barriga dos outros. A vida precisa disso! De pequenas doses de ousadia toda manhã. De extremos e excessos. De pequenos e intensos. Café me lembra amor. Acho que é isso.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

E quando eu te encontrar.

E quando eu te encontrar eu tenho medo de respirar de menos, ou rir demais. De parecer ansiosa e com rímel demais. De tropeçar na rua e bater a porta do carro, forte demais. Tenho medo de ficar com alface no dente, de descascar meu esmalte inteiro, de fazer drama, de ser esquisita, gordinha ou pequena demais. Mas aí eu lembro que você vai me amar, tanto, simplesmente por eu ter sido eu demais.

Reconhecimento

"Ele tateia as maçãs do rosto, contorna o nariz, escorrega os dedos pelas pálpebras, pelos lábios; procura por rugas, falhas, pontas. Encontra a memória, colorida e exata.

- Você não mudou nada.
- Desde ontem?
- Desde que eu te imaginei."

do blog Café Pequeno.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Vinho safra ruim

E pediram pra ela escolher entre um amor tranquilo, ou um amor ardente. O último é vermelho. De um tom bonito e perigoso. Quase um vinho, que o corpo clama pra engolir. A tranquilidade é clara e já não sabe seduzir. Mas conforta. Segura. Ela não consegue escolher.

Ela escolhe o amor tranquilo. Porque pensou que no branco, podia pintar qualquer cor. Mas ela tentou colorir de vermelho, e ele não tinge. Não pega. Escorrega. No máximo um rosa clarinho. Ela quer um e outro e não se contenta com nenhum dos dois. Ela fica brava e escolhe o vermelho. Que arde. Ela sempre gostou do abismo. Do pode ser que não sei se é. Ele fascina e machuca. Ela não deveria querer! Mas quer.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O primeiro parto

Eu gosto do amor em excesso. O controle me irrita. A falta de amor, o quase amor, o pequeno amor, o disfarçado amor. Não suporto o amor com medo de amar. Me sufoca o amor que insiste em pensar. Amor é pra ser por inteiro, de verdade, com vontade.